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Última actualização: 07-11-2018 Publicado a: 07-11-2018

Arrábida/Espichel/Matas de Sesimbra/Lagoa de Albufeira

ARRABIDA-ESPICHEL-MATAS-ALBUFEIRATipo: Área Estruturante Primária da Rede Ecológica Metropolitana

 

Outras áreas da EER incluídas: Área agrícola de Azeitão, Lagoa de Albufeira-Ribeira da Apostiça/Ribeira da Brava, Lagoa de Albufeira-Arriba Fóssil, Ribeira da Pateira, Ribeira da Ferraria, Pinheirinhos-Praia do Meco, Cabeço da Azoia-Alfarim-Pinhal da Mesquita, Praia da Foz-Sesimbra-Arrábida

 

Concelhos: Setúbal, Sesimbra e Palmela

 

Áreas classificadas: Área Protegida (Parque Natural da Serra da Arrábida), Rede Natura 2000 (SIC da gruta do Zambujal, SIC Arrábida-Espichel, ZPE do Cabo Espichel, SIC Fernão Ferro/Lagoa de Albufeira, ZPE de Lagoa Pequena), Parque Marinho da Arrábida, Reserva Biogenética do PN da Arrábida

 

Descrição geral: No seu conjunto, constitui uma área de paisagem única com elementos extremamente diversificados, tanto do ponto de vista geológico e geomorfológico, como florístico, faunístico e paisagístico. Nela se inserem subunidades autónomas, mas com a característica comum de constituírem espaços fundamentais do ponto de vista natural tais como a serra da Arrábida, o cabo Espichel, as matas de Sesimbra, a área agrícola de Azeitão e a Lagoa de Albufeira.

 

Desde áreas costeiras abruptas até zonas serranas, planícies arborizadas, falésias, costeiras, praias, maquis, pastagens, zonas agrícolas compartimentadas e florestas, todas ocorrem de forma contínua e integrada, representando uma imagem coerente e de elevado interesse paisagístico, constituindo zonas únicas incontornáveis na riqueza patrimonial natural da AML. O valor ecológico deste território resultou na classificação de algumas áreas com interesse para a conservação da natureza e biodiversidade.

 

ARRABIDA-ESPICHEL-MATAS-ALBUFEIRA2O Parque Natural da Arrábida deve o seu nome à principal unidade geomorfológica de toda a área, a designada cordilheira da Arrábida, constituída por 3 eixos: o 1º composto por pequenas elevações nos arredores de Sesimbra, pelas serras do Risco e da Arrábida e pelas colinas existentes entre o Outão e Setúbal; o 2º é formado pelas Serras de S. Luís e dos Gaiteiros; e o 3º formado pelas Serras do Louro e de São Francisco. A orientação da cordilheira é ENE-OSO (orientação alpina) apresentando um comprimento de cerca de 35 km e uma largura média de 6 km. A altitude máxima é de 501 m no anticlinal do Formosinho. (site do ICNF)

 

ARRABIDA-ESPICHEL-MATAS-ALBUFEIRA3A norte da cordilheira estende-se uma vasta área de planície que apresenta a sua maior largura junto ao limite oeste do Parque, estreitando-se, progressivamente, à medida que se caminha para este. O litoral é bastante rochoso, recortado por pequenas baías com praias de areia branca encimadas por escarpas. (site do ICNF)

 

A cadeia montanhosa da Arrábida, e a área de planície que a circunscreve, tem uma grande diversidade de solos, devido à multivariada constituição dos materiais rochosos que compõem a rocha mãe. A grande maioria dos solos é de origem sedimentar aparecendo, no entanto, algumas intrusões eruptivas. Todo o modelado hoje visível na Arrábida depende não só de aspetos ligados à tectónica e à erosão mas também daqueles que se prendem com a geologia da área constituída em grande parte por rochas calcárias e dolomíticas ou detríticas. (site do ICNF)

 

A hidrografia, de acordo com a característica das regiões cuja geologia é predominantemente formada por calcário, apresenta aspetos específicos desse tipo de constituição, tais como a não perenidade e exiguidade dos cursos de água. (site do ICNF)

A vegetação da Arrábida possui um elevado valor natural, verificando-se neste território a convergência de três elementosflorísticos: o euro-atlântico, mais fresco, húmido e sombrio nas vertentes a norte; o mediterrânico, mais quente, seco e luminoso nas vertentes expostas a sul; e o macaronésio nas arribas marcadamente marítimas. As comunidades de vegetação incluem ainda espécies com origem paleomediterrânica e/ou paleotropical. (site do ICNF)

 

Também nos ambientes marinhos existe uma convergência de elementos faunísticos de diferentes afinidades, nomeadamente temperado frio do norte da Europa, temperado quente do Mediterrânio e Norte de África, e tropical. Esta composição ictiológica ARRABIDA-ESPICHEL-MATAS-ALBUFEIRA4mista, em conjugação com o caráter de charneira do ponto de vista biogeográfico, confere ao mar da Arrábida um papel preponderante na compreensão dos fenómenos de evolução das comunidades marinhas. (site do ICNF: ver mais aqui)

 

O Cabo Espichel, é uma faixa litoral de falésias altas com uma área terrestre de matos e campos abertos, constituindo uma importante área de ocorrência de espécies migratórias de passagem e também pelas espécies de aves que nidificam nas falésias, com destaque para o Falcão-peregrino (adaptado do PSRN 2000).

 

As matas de Sesimbra são um importante espaço da península, constituindo a única mancha integralmente florestal e contínua no seio da AML e detendo uma ocupação arbórea de elevado interesse faunístico e florístico. A zona noroeste das matas integra o sítio da Rede Natura Fernão Ferro / Lagoa de Albufeira.

 

O Sítio é dominado por uma vasta superfície de aplanamento afeiçoada sobre o Pliocénico, que sobe a 70 m, sendo limitada a Oeste pela arriba fóssil e a Sul pela Lagoa de Albufeira (…). A Leste a plataforma está coberta por sistemas de dunas transversais, relativamente bem conservados, da idade do Würm. A plataforma principal é sensivelmente dividida a meio pelo Vale da Coelheira, parcialmente colmatado por coluviões de erosão dunar, que desemboca na Lagoa Pequena. (PSRN 2000)

Paisagisticamente o Sítio tem características predominantemente florestais, em que o pinheiro é a espécie mais representada, devido a plantações orientadas para a produção de madeira e resina, instaladas sobre áreas dunares (dunas terciárias ou paleodunas). Podem ainda observar-se áreas de florestas de pinheiros adultos, originadas por plantação ou regeneração natural, com uma vegetação de subcoberto espontânea, sucessionalmente evoluída, não sujeita a mobilizações ou roça recente. (PSRN 2000)

 

De máxima importância é a paisagem de paleodunas paludificadas, situação de grande raridade no Sudoeste Europeu. A paisagem de lagoas permanentes e de outros sistemas parcialmente paludificados viabiliza a presença de um complexo de habitats higrófilos e oligotróficos de carácter atlântico, raros e fragmentados – caso das turfeiras sub-litorais, dos charcos distróficos naturais, das águas oligotróficas sobre solos arenosos e dos urzais, numa situação fito-geográfica limítrofe no extremo sul da sua distribuição. (PSRN 2000)

 

Assinala-se também a ocorrência da planta Thorella verticillatinundata, uma umbelífera reduzida em Portugal a populações diminutas e residuais. Outras comunidades a destacar são as de carácter arbustivo, litorais ou sub-litorais, dominadas por sabina-da-praia e/ou zimbro-galego, correspondendo às comunidades lenhosas maduras das dunas terciárias activas holocénicas e das paleodunas pleistocénicas mais profundas. É uma vegetação com elevado valor de conservação intrínseco que inclui inúmeros endemismos e constitui o habitat de alimentação, refúgio e reprodução de variada entomofauna e fauna vertebrada terrestre associada às dunas. Importantes no Sítio são ainda os tojais-urzais e tojais-estevais sobre dunas (…). Relativamente à fauna, destaca-se a presença da boga-portuguesa, endemismo lusitânico criticamente em perigo. (PSRN 2000)

 

Com especial interesse, e classificada como ZPE, encontra-se a zona húmida da lagoa de Albufeira, com importância internacional para a avifauna, com elevado valor paisagístico e uma importante área de reprodução de peixes e bivalves (ver descrição na área “Lagoa de Albufeira – Ribeira da Apostiça/Ribeira Brava”

 

Em termos de povoamento nesta área, registe-se a presença do eixo urbano Sesimbra/Santana/lagoa de Albufeira com características heterogéneas sendo no conjunto uma área urbanizada predominantemente para fins de turismo, recreio e lazer, essencialmente relacionados com as excelentes condições naturais interiores e litorais. Esta área inclui o porto de Sesimbra, um dos principais portos de pesca ao nível nacional.

 

É ainda de assinalar que no setor sudoeste do concelho de Sesimbra aconteceram dinâmicas diversas que se operaram nos últimos 40 anos sobre um povoamento rural atípico, fruto de um processo histórico que remonta aos tempos pré-Romanos. Assim, na envolvência do latifúndio fundaram-se pequenos povoados, de camponeses e semi-camponeses (Azóia, Alfarim, Aiana, Almoinha, Cotovia), com uma agricultura em grande medida de subsistência, que complementavam com o trabalho na grande propriedade e algumas atividades ligadas ao mar - pesca, apanha de marisco e de algas, nalguns casos com o apoio às peregrinações ao Cabo Espichel e, por fim, o trabalho nas pedreiras.

 

A este povoamento em pequenos aglomerados veio sobrepor-se uma dispersão, por vezes alinhada ao longo das vias de comunicação, de parcelas com uma frente muito reduzida e uma grande profundidade, não muito diversa da que resultou da subdivisão de baldios em diferentes épocas, mas predominantemente no século XIX e início do século XX.

 

Fonte das imagens: 1ª - site do ICNF / 2ª e 3ª  - CM de Sesimbra

 

 

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