A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, I.P. (CCDR LVT) deu início ao novo ciclo de debates e masterclasses LVT Inova Talks, um espaço de reflexão e partilha sobre temas estratégicos para o futuro da região.
O evento inaugural contou com a presença de José Carlos Mota, Professor da Universidade de Aveiro, especialista em processos participativos e inovação cidadã, que apresentou a temática “Inovação Cidadã em Portugal: desafios e lições dos laboratórios cívicos”. As sessões da tarde e da manhã foram amplamente participadas tanto pelos trabalhadores da CCDR LVT como pelos agentes das entidades da região.
Na abertura, a Presidente da CCDR LVT sublinhou que esta nova rubrica visa “valorizar a reflexão crítica, promover o debate qualificado e reforçar a capacitação dos quadros da CCDR e dos agentes do território”. Recordando os desafios da sociedade contemporânea – da evolução tecnológica às mudanças demográficas – Teresa Almeida destacou que a CCDR LVT quer assumir um papel ativo na promoção de práticas de participação e envolvimento das comunidades: “O LVT Inova Talks nasce precisamente com esse propósito: criar momentos de diálogo e aprendizagem – entre trabalhadores deste instituto público e os agentes do território – em torno de temas estruturantes para o desenvolvimento regional”, afirmou.
Na sua intervenção, José Carlos Mota destacou que os laboratórios de inovação cidadã são hoje instrumentos fundamentais para a cocriação e prototipagem de soluções locais, capazes de responder a problemas do quotidiano identificados pelas próprias comunidades. Recordou experiências já desenvolvidas em várias cidades portuguesas, dando ênfase à crescente rede ibérica de laboratórios cívicos que se tem afirmado como espaço de inovação social.
O orador apresentou ainda as etapas essenciais de um processo participativo, desde a preparação e diagnóstico colaborativo, passando pelas convocatórias de projetos e oficinas de cocriação, até à experimentação de protótipos e à celebração de resultados. Cada fase, explicou, deve ser inclusiva, construtiva e consequente, garantindo diversidade de vozes e a continuidade dos processos.
José Carlos Mota defendeu, ainda, que a participação cidadã não é um fim em si mesmo, mas um meio para: melhorar os lugares de vivência, através da qualificação dos espaços e das políticas locais; fortalecer os processos de decisão, tornando-os mais transparentes e próximos das comunidades; e construir laços sociais e narrativas de futuro, estimulando redes de colaboração e mobilizando recursos muitas vezes invisíveis.
A Presidente da CCDR LVT anunciou ainda que a próxima sessão do LVT Inova Talks terá lugar em outubro, com o Engenheiro Alfredo Cunhal Sendim, dedicada a temas ligados à agroecologia, agricultura regenerativa e economia social.




